Pesquisa com participação do CDMF avança em materiais porosos premiados com o Nobel de Química 2025

Artigo foi publicado na revista Advanced Sustainable Systems

Um artigo científico publicado em 2025 na revista internacional Advanced Sustainable Systems coloca pesquisadores brasileiros na vanguarda de uma área reconhecida com o Prêmio Nobel de Química 2025: o desenvolvimento e a aplicação de estruturas metal-orgânicas (MOFs), materiais cristalinos porosos capazes de revolucionar tecnologias ambientais e energéticas.

Intitulado “Solar-Responsive Zr-MOF/Ag₄P₂O₇ Heterostructures for Sustainable Photocatalytic Degradation of Emerging Water Contaminants”, o estudo conta com a participação de pesquisadores vinculados ao CDMF e apresenta uma nova arquitetura molecular baseada em MOFs de zircônio, projetada para a degradação eficiente de contaminantes emergentes da água, como corantes industriais e antibióticos.

A pesquisa dialoga diretamente com os avanços científicos que levaram Susumu Kitagawa, Richard Robson e Omar Yaghi a receberem o Nobel de Química no ano passado, pela criação de uma nova forma de arquitetura molecular. Os laureados foram responsáveis por estabelecer os fundamentos das estruturas metal-orgânicas, materiais formados pela combinação de íons metálicos e ligantes orgânicos que se organizam em redes cristalinas altamente porosas — verdadeiras “salas de química” em escala molecular.

No artigo, os pesquisadores descrevem o desenvolvimento de uma heteroestrutura inovadora, integrando um MOF de zircônio (Zr-MOF), conhecido por sua alta estabilidade química, com o semicondutor pirofosfato de prata (Ag₄P₂O₇). Essa combinação resulta em um material capaz de absorver luz solar de forma eficiente, promover a separação de cargas elétricas e gerar espécies reativas responsáveis pela degradação de poluentes persistentes em meio aquoso.

Os resultados mostram eficiências superiores a 95% na remoção de diferentes contaminantes, além da transformação dessas substâncias em intermediários significativamente menos tóxicos, conforme demonstrado por análises avançadas de LC-MS e ensaios de fitotoxicidade. Um dos diferenciais do trabalho é o uso de modelagem óptica baseada no Six-Flux Model, que revelou que o material absorve quase sete vezes mais fótons na região do visível do que na faixa ultravioleta, reforçando seu potencial para aplicações sustentáveis movidas a energia solar.

Segundo o Comitê Nobel de Química, as estruturas metal-orgânicas “têm um enorme potencial, trazendo oportunidades anteriormente imprevistas para materiais feitos sob medida com novas funções”. Essa visão se materializa no estudo com participação do CDMF, que demonstra como o design racional de MOFs, princípio consolidado pelos laureados do Nobel, pode ser aplicado para enfrentar desafios globais, a exemplo da contaminação da água por resíduos farmacêuticos e industriais.

Além de aplicações diretas no tratamento sustentável de águas contaminadas, os autores ressaltam que os princípios apresentados estabelecem um modelo para o desenvolvimento de novos materiais multifuncionais, alinhados com a transição energética, a química verde e a mitigação de impactos ambientais — áreas estratégicas também priorizadas pelo CDMF.

O estudo reforça o protagonismo da pesquisa brasileira em um campo que hoje está no centro da química mundial, evidenciando como conceitos laureados com o Prêmio Nobel de Química 2025 estão sendo rapidamente traduzidos em soluções tecnológicas concretas para desafios globais.

CDMF

Com sede  na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e dirigido pelo Prof. Dr. Elson Longo, o CDMF é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e recebe também investimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a partir do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Materiais em Nanotecnologia (INCTMN).

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