Pesquisadores do CDMF desvendam mecanismo de toxicidade de material promissor para descontaminação da água em microalga modelo

Trabalho foi publicado na revista Environmental Pollution

Um estudo internacional liderado por cientistas brasileiros associados ao CDMF, revela como partículas do semicondutor cobre tungstato (CuWO₄) afetam de forma complexa a microalga de água doce Raphidocelis subcapitata, um organismo amplamente utilizado em testes ecotoxicológicos. A equipe incluiu pesquisadores do CDMF e da UFSCar, destacando Renan Castelhano Gebara, Cínthia Bruno de Abreu e Elson Longo, entre outros colaboradores.

Publicada no periódico Environmental Pollution, a pesquisa avaliou múltiplos desfechos biológicos — do crescimento à produção de espécies reativas de oxigênio (ROS) e parâmetros de fotossíntese — para compreender os mecanismos pelos quais essas partículas podem comprometer organismos aquáticos que formam a base das cadeias tróficas.

O estudo que demonstra que, embora o CuWO₄ tenha potencial tecnológico — inclusive em processos de fotocatálise e descontaminação de água —, suas partículas afetaram significativamente o crescimento algal e funções celulares essenciais, efeitos indesejados.

O trabalho mostrou também que concentrações de CuWO₄ na ordem de poucos miligramas por litro já causaram alterações na viabilidade celular da microalga e no equilíbrio de ROS intracelular, sugerindo que os efeitos tóxicos não decorrem apenas da liberação de íons de cobre, mas também das propriedades físico-químicas específicas das próprias partículas semicondutoras.

Adicionalmente, os autores realizaram uma abordagem integrada que incluiu análise de classe de lipídios, composição de carboidratos e pigmentos, bem como mudanças morfológicas, ajudando a lançar luz sobre uma resposta de toxicidade multifatorial.

Segundo os pesquisadores, esses achados são especialmente relevantes para orientar futuras avaliações de risco e regulamentações sobre o uso de materiais emergentes como semicondutores no ambiente aquático — um passo crítico para equilibrar inovação tecnológica com a proteção da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos.

CDMF

Com sede  na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e dirigido pelo Prof. Dr. Elson Longo, o CDMF é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e recebe também investimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a partir do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Materiais em Nanotecnologia (INCTMN).

Avatar photo
Sobre LAbI UFSCar 3043 Artigos
O Laboratório Aberto de Interatividade para Disseminação do Conhecimento Científico e Tecnológico (LAbI), vinculado à Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), é voltado à prática da divulgação científica pautada na interatividade; nas relações entre Ciência, Arte e Tecnologia.