Uso do ácido glioxílico foi liberado na comunidade muçulmana

Interação entre CDMF e Katléia soluciona questão relacionada à purificação adequada dos cabelos alisados com o ácido glioxílico e conquista permissão da comunidade muçulmana ("Halal") para uso desse produto

Curva de tensão ou força x deformação de uma fibra capilar e estrutura da queratina.

O uso de formaldeídos em tratamentos de alisamento capilar foi proibido na comunidade islâmica. A proibição foi adotada pois a substância ia contra o Halal – conjunto de comportamentos e alimentos permitidos pela comunidade – uma vez que se constatou que esses compostos formam um filme (polímero) dentro da fibra capilar, impedindo que a água limpe (purifique) adequadamente a fibra. Diante disso, outros compostos também foram proibidos pelo Halal como, por exemplo, o ácido glioxílico que também é um alisador ácido, de fórmula semelhante ao formol.

A Katléia, Centro Avançado de Diagnóstico Capilar, laboratório especializado em testes físico-químicos de fibras capilares, Spin Off do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF/CEPID/FAPESP) foi contratada para verificar se a água permeava o interior das fibras capilares alisadas com ácido glioxílico promovendo a limpeza e purificação adequada da mesma.

Para se investigar a questão utilizou-se o ensaio de resistência mecânica de fibras capilares virgens, alisadas com formaldeído e ácido glioxílico em um estudo comparativo.

A tensão de ruptura da fibra do cabelo bem como sua deformação na ruptura se modificam conforme o grau de hidratação da fibra capilar. Assim, quando a fibra está com 100% de umidade ela apresenta menor tensão de ruptura e maior deformação específica.

Depois de diversos ensaios de fibras capilares secas e molhadas as curvas de tensão x deformação das fibras alisadas com ácido glioxílico se apresentam muito semelhantes ao dos padrões virgens, ao contrário do o que ocorreu com as fibras alisadas com formaldeído.

A Katléia e o CDMF também elucidaram os mecanismos de modificações físico-químicas que ocorrem durante o alisamento com o formaldeído e com o ácido glioxílico. Ficou demonstrado que o ácido gloxílico não se polimeriza dentro da fibra como ocorre com o formaldeído.

O estudo foi verificado por uma comissão científica muçulmana e o ácido glioxílico teve sua utilização liberada na comunidade islâmica.

Veja a matéria completa (em inglês) Huge media platform:

http://www.w24.co.za/Beauty/Hairstyles/there-might-be-feathers-placenta-egg-yolk-and-even-blood-in-your-shampoo-20170515

Daniela Caceta
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Atua no Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais.