Pesquisadores do CDMF participam de avanço em sensores de gás para detecção de monóxido de carbono

Cooperação internacional

Uma equipe internacional de cientistas, com significativa participação de pesquisadores associados ao CDMF, alcançou novos resultados promissores no desenvolvimento de materiais sensores capazes de detectar monóxido de carbono (CO), um dos gases mais perigosos para a saúde humana.

A pesquisa, publicada recentemente em ACS Omega, apresenta o estudo “Ni-Doped SnO Microplates for Carbon Monoxide Gas Detection”, que explora o uso de microplacas de óxido de estanho (SnO) dopadas com níquel (Ni) como material sensível para detectar CO. Este avanço coloca em destaque uma colaboração entre universidades e institutos do Brasil e da Argentina, reforçando a importância da cooperação científica internacional.

Inovação em materiais para sensores de CO

O monóxido de carbono é um gás incolor e inodoro, altamente tóxico mesmo em concentrações baixas, sendo responsável por numerosos casos de intoxicação e fatalidades em ambientes industriais e domésticos. Detectar CO de forma rápida e precisa, especialmente à temperatura ambiente, continua sendo um desafio tecnológico e científico.

A equipe usou um método de síntese avançado (hidrotermal assistido por micro-ondas) para produzir microplacas de SnO com pequenas quantidades de níquel incorporadas à sua estrutura cristalina. O doping com Ni aumentou a condutividade elétrica do material e melhorou sua sensibilidade ao CO, abrindo caminho para sensores de gás mais eficazes e possivelmente operáveis sem necessidade de altas temperaturas — um grande ganho em eficiência energética e aplicabilidade prática.

Cooperação internacional

A pesquisa foi assinada por vários autores, incluindo o professor Elson Longo, diretor do CDMF e Professor Emérito da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que figura como um dos pesquisadores principais no trabalho científico. Além dele, há contribuições de cientistas de instituições argentinas (como a UNMdP e a UNS) e brasileiras (Unifesp, Unesp, UFSCar e UFRN), o que evidencia a forte cooperação regional em ciência de materiais.

Pesquisadores do CDMF têm se destacado nesse campo nos últimos anos, com diversas iniciativas voltadas ao desenvolvimento de sensores de gases baseados em óxidos metálicos, incluindo trabalhos sobre SnO₂ e materiais nobres para aplicações ambientais e de segurança.

Potencial impacto e aplicações

Os resultados indicam que o material proposto pode operar melhor em condições realistas de monitoramento de gás, com respostas elétricas claras à presença de CO. A presença de Ni altera a estrutura eletrônica do SnO de forma a facilitar a interação com moléculas de CO, conforme demonstrado por análises teóricas e simulações de física computacional.

Tais sensores podem ser empregados em áreas industriais, residenciais e automotivas para detecção precoce de monóxido de carbono, contribuindo significativamente para a prevenção de acidentes e a proteção da saúde pública. Este tipo de tecnologia também possui potencial para integração em dispositivos portáteis de baixo consumo e custo reduzido — um passo importante para a difusão ampla da tecnologia.

A pesquisa representa um exemplo exitoso de como a interdisciplinaridade e cooperação internacional ampliam as fronteiras do conhecimento aplicado em ciência dos materiais. O trabalho também ressalta o papel de centros de referência como o CDMF no Brasil, que conectam especialistas de diferentes países para enfrentar desafios tecnológicos com impacto direto na sociedade.

CDMF

Com sede  na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e dirigido pelo Prof. Dr. Elson Longo, o CDMF é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e recebe também investimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a partir do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Materiais em Nanotecnologia (INCTMN)

Avatar photo
Sobre LAbI UFSCar 3043 Artigos
O Laboratório Aberto de Interatividade para Disseminação do Conhecimento Científico e Tecnológico (LAbI), vinculado à Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), é voltado à prática da divulgação científica pautada na interatividade; nas relações entre Ciência, Arte e Tecnologia.