LaDiC/CCMC – perspectivas de ex-membros sobre a Difusão Científica – Marcelo Pereira da Silva

Marcelo Pereira da Silva é licenciado em Ciências Exatas pela USP de São Carlos

A trajetória que vamos destacar na matéria desta semana é a do Prof. Marcelo Pereira da Silva, que durante dois anos, permaneceu no Grupo de Pesquisa Crescimento de Cristais e Materiais Cerâmicos enquanto ainda era estudante do curso de Licenciatura em Ciências Exatas, da USP de São Carlos. De 2005 a 2007, Marcelo, assim como outros membros do Laboratório de Difusão Científica (LaDiC) do CCMC, tinham como propósito estudar meios efetivos de divulgar à comunidade não acadêmica os trabalhos e pesquisas que estavam sendo desenvolvidos pelo grupo. A temática estudada mais intensamente por Marcelo, durante o período que desenvolveu sua Iniciação Científica no LaDiC/CCMC, a nanociência e nanotecnologia, foi também o grande motivador de prosseguir seus estudos na pós-graduação, desenvolvendo o mestrado na mesma área. Acompanhemos os passos que seguiu o ex-membro:

Marcelo e sua formação

Marcelo é licenciado em Ciências Exatas pela USP de São Carlos, tendo feito habilitação nas áreas de Física, Química e Matemática. Realizou mestrado em Ensino de Ciências, modalidade Ensino de Física pela USP Interunidades IF/FE-USP.Atualmente, leciona em escolas particulares da cidade de São Carlos nas áreas de Física e Matemática para alunos dos Ensinos Fundamental, Médio e Pré-Vestibular.

Os primeiros passos no LaDiC

Marcelo iniciou sua graduação na USP de São Carlos no ano de 2005 e no segundo semestre do mesmo ano, ingressou no LaDiC. A oportunidade de atuar em um grupo de pesquisa que desenvolvesse atividades voltadas ao ensino e difusão da ciência foram o atrativo para que Marcelo desejasse fazer parte daquela equipe: Estava em busca de uma bolsa e me interessei pelo projeto. Me inscrevi e fui selecionado para participar do grupo. No momento da inscrição estava interessado em conseguir uma bolsa que me auxiliasse nas despesas com a faculdade e quando vi a oportunidade percebi que poderia unir o útil ao agradável, pois poderia desenvolver aspectos de minha futura profissão.

O trabalho desenvolvido no LaDiC

Inicialmente, Marcelo atuava em diversas atividades promovidas pelo LaDiC à época, como olimpíadas, minicursos, apresentações de show de física, contato com as escolas da cidade e da região e o estreitamento entre a universidade e a comunidade: Iniciei auxiliando na elaboração e realizando apresentações em forma de minicursos sobre o tema “Argila”, que eram ministradas em escolas de toda a região. Em seguida cada um dos membros do grupo recebeu a tarefa de criar, com base no tema inicial, minicursos sobre assuntos correlatos e que poderiam despertar interesse pelo público e pelas escolas que nos convidavam para ministrá-los. Essa elaboração era acompanhada e orientada pelos olhos atentos do Professor Hernandes e da Ariane Baffa (coordenadores do LaDiC), já experiente neste trabalho. Além disso, realizamos edições da Olimpíada de Matemática, Química e Física. Um desafio que envolvia desde a elaboração, listagens de alunos, entrega de provas pela região, correção e uma premiação de dar orgulho. Sempre havia os desafios propostos pelo Professor Hernandes, os quais buscávamos concluir da melhor forma possível, como as visitas ao IFSC, Shows de Física, etc.

Marcelo ressaltou que o tema em que mais atuou durante o período de atuação no LaDiC foi a Nanociência e a Nanotecnologia; a experiência despertou, então, o desejo de seguir a mesma temática na pós-graduação: Meu tema central era “Nanociência e Nanotecnologia”, que aliás me despertou tanto interesse durante a pesquisa que acabei por integrá-lo aos meus trabalhos de mestrado.

Importância da Difusão Científica – o olhar de Marcelo

Hoje, como Professor, Marcelo compreende de forma ainda mais sólida a importância de comunicar ciência e o desenvolvimento da mesma de forma didática e eficiente para o público externo à universidade; o professor compartilhou sua visão a respeito da importância da difusão científica para a sociedade: Sem divulgação perde-se o sentido da pesquisa, da construção, da inovação. Conhecimento sem divulgação, não agrega valor a nada, não ajuda a humanidade a evoluir e tampouco ao ser que dispõe deste. Eu acredito que o LaDiC do CCMC foi ganhando lugar à medida que as pessoas ao redor (sobretudo os próprios participantes do Laboratório e do IFSC) perceberam o quanto este trabalho fazia diferença para o desenvolvimento geral do Laboratório. Sem difusão é difícil atingir novas cabeças que irão dar continuidade ao trabalho e despertar interesse nas próximas gerações de cientistas.

Difusão Científica no Brasil – carências

Marcelo, envolvido até os dias atuais com atividades de ensino de ciências, teceu considerações sobre as dificuldades em se realizar a  difusão cientítica, sobretudo com relação a atividades que abranjam uma larga escala de pessoas: Acredito que por mais que tentamos, é difícil atingir tantos quantos desejamos. Existe a falta de recurso, de interesse, de oportunidade, distância dos pólos de conhecimento e muitos outros fatores. Na minha época de estágio no LaDiC, procurávamos sempre elaborar novos métodos de trabalho e novas formas de atingir um público consideravelmente grande, por isso a necessidade de tantas estratégias e tantos projetos acontecendo ao mesmo tempo.

A experiência no LaDiC para a carreira profissional

Marcelo concluiu sua entrevista avaliando e rememorando o período em que atuou no LaDiC. O Professor destacou como o trabalho de difusão científica em nível de graduação colaborou para sua atuação como professor, carreira que escolheu seguir: O trabalho no Grupo de Ensino me ajudou muito como profissional. As palestras que ministrava, às vezes para públicos bem maiores que as maiores salas de aula que já tive, me mostrou o quanto eu era fascinado pela minha profissão e o quanto eu poderia fazer diferença nela. A possibilidade de criar algo novo sempre também me permitiu abrir a mente para uma infinidade de maneiras para tratar os conteúdos do dia-a-dia.

Produtos Gerados

Minicursos

O mundo manométrico em materiais cerâmicos – ministrado na E.E. José Juliano Netto (São Carlos), 2005. Marcelo Pereira da Silva, Ariane Baffa Lourenço e Antonio Carlos Hernandes (coordenador).

Centenário de 14-Bis– ministrado em diversas escolas (São Carlos)2006Marcelo Pereira da Silva, Ariane Baffa Lourenço e Antonio Carlos Hernandes (coordenador).

Nanociência e nanotecnologia– ministrado na E.E. Prof. José Juliano Netto (São Carlos), 2006; E. E. Prof. Felix do Amaral (São Carlos), 2006; E.E. Pirajá da Silva (Ribeirão Bonito), 2006; E. E. Prof. Sebastião de Oliveira Rocha (São Carlos), 2007. Marcelo Pereira da Silva, Ariane Baffa Lourenço e Antonio Carlos Hernandes (coordenador).

Apresentações de Trabalhos

Ensinando Nanociência e Nanotecnologia para alunos do Ensino Médio. SILVA, M. P.; Lourenço, A. B. 14º Simpósio de Iniciação Científica da USP, 2006.

Ensinando Nanociência e Nanotecnologia para alunos do Ensino Médio. SILVA, M. P.; Lourenço, A. B. Semana da Licenciatura Interunidades, 2006.

Amanda Murgo
Sobre Amanda Murgo 134 Artigos
Educadora do Laboratório de Difusão Científica (LaDiC) do Grupo Crescimento de Cristais e Materiais Cerâmicos (CCMC/IFSC/USP) no âmbito das ações de Difusão Científica do CDMF. Assessora de Comunicação do CCMC/LaDiC/CDMF desde 2010. Bacharel em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos com estágio no Projeto "História da Ciência e Meio Ambiente - as demandas por energia através da História" (CCMC/IFSC/USP/CDMF) de abril de 2013 a julho de 2014. Atua ministrando cursos de Educação Ambiental em escolas de Rede Básica de Ensino e Educadores com a temática pelo CDMF até os dias atuais.