Pesquisa busca combater infecções associadas ao uso de implantes

Cooperação entre Brasil e Austrália terá intercâmbio de pesquisadores da UNESP e Universidade de Sidney

Um projeto de pesquisa iniciará o desenvolvimento de uma plataforma para evitar a formação de micro-organismos e combater possíveis infecções associadas ao uso de implantes odontológicos. O estudo será realizado através de uma cooperação internacional entre Brasil e Austrália, envolvendo o Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiados pela FAPESP.

A pesquisa será realizada na Universidade Estadual Paulista (UNESP), em Araraquara (SP), e será desenvolvida durante o período de dois anos. “O trabalho propõe o desenvolvimento de superfícies multifuncionais em implantes que regulam a adesão e diferenciação de micro-organismos”, explicou o professor Carlos Eduardo Vergani, coordenador do projeto e professor da Faculdade de Odontologia da UNESP Araraquara.

Hoje em dia é comum infecções causadas por micro-organismos que se aderem à superfícies bióticas, como mucosa, gengiva e ossos, ou ainda nas superfícies abióticas, como implantes ou cateteres. A proposta é que a pesquisa não se restrinja apenas aos implantes odontológicos, mas que esses materiais possam ser incorporados a qualquer tipo de biomaterial.

A cooperação internacional acontece com a Universidade de Sidney, na Austrália, coordenado pelo professor Wojtek Chrzanowski, especialista em engenharia de superfícies, com ênfase em biomateriais. “O recurso referente ao projeto será destinado exclusivamente para mobilidade das equipes envolvidas para discussão, elaboração e apresentação em agências financiadoras de projetos conjuntos na área de funcionalização de superfícies de biomateriais para controlar a formação de biformes microbianos e, ao mesmo tempo, favorecer a reparação de tecidos”, explicou o professor Vergani.

O projeto propõe ainda o intercâmbio entre pesquisadores das duas instituições durante o período de duração dos trabalhos. “Espera-se contribuir para o desenvolvimento de implantes que proporcionem maior controle na adesão de microrganismos (formação de biformes) com a biocompatibilidade necessária”, apontou Vergani.

Fernanda Vilela
Sobre Fernanda Vilela 49 Artigos
Assessora de Comunicação e Imprensa do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF).